sábado, 30 de julho de 2016

DA JANELA LATERAL

A minha mania de andar de ônibus iniciou quando eu comecei a estudar no Liceu do Ceará do Centro de Fortaleza, no início da década de noventa. Pois bem, naquela época, fizeram uma mudança na posição do cobrador, ele ficava junto com o motorista na parte da frente, então alguns colegas e eu pegávamos “carona”, entrando pela porta de trás. Ficávamos conversando, indo de terminal em terminal, anotando os nomes das ruas e fazendo comentários maldosos sobre as pessoas que estavam do lado de fora. Fui reprovada naquele ano, mal entrava no colégio . . . . Na realidade, era a sensação de estar livre que me agradava, eu não estava indo a lugar nenhum, mas poderia ir, se quisesse, poderia descer em qualquer ponto, qualquer um, na hora em que eu desejasse, sem ter que ouvir as reclamações dos meus pais.
Ainda dá vontade de pegar ônibus quando eu quero pensar um pouco sobre a minha vida, gosto de ficar nas cadeiras mais altas da parte de trás, escutando o som do meu mp4. Só não dá mais para fazer comentários maldosos sobre as pessoas, afinal, não tenho treze anos (rsrsrs). Fico observando a vida das pessoas, umas dentro de suas casas, outras nas calçadas, nas praças, e tem aquelas que estão indo para algum lugar enquanto eu não estou indo para canto nenhum.

terça-feira, 26 de julho de 2016

NÃO GOSTO DE BEATLES, E DAÍ?

Tenho sérias razões para dizer que a maioria das pessoas não vêem com bons olhos quem fala que não gosta de ouvir Beatles. Eu não gosto de ouvir Beatles. Depois de uma declaração como esta, uma pessoa me peguntou se eu gosto de música. Como assim? Claro que eu concordo com a grande importância que eles têm na história da música, mas, para eu gostar de música eu tenho a obrigação de gostar de Beatles? Sorry, my friend, gosto de música e existem outras bandas melhores até para aquele beatlemaníaco mais religioso, que ousa concordar com tal afirmação apenas nos pensamentos mais secretos. E eu não acho desrespeito nenhum dizer que eu só escutaria Beatles na minha casa apenas se fosse para evitar um forró, pagode ou sertanejo. Sei que musicalmente eles são impecáveis, não entendo de música mas conheço pessoas que entendem e confio nelas,  já as letras mais famosas, mais populares. . . .
Enquanto isso, vou recebendo críticas dos que acham um ABSURDO o fato de eu não gostar de Beatles, e por não achar que o mundo não prestaria se os Beatles não tivessem existido, e por eu não sair gritando e dançando ao escutar “Well, shake it up baby now”, sei que há boas letras também, mas eu não gosto das vozes deles, falei.
E essas mesmas pessoas criticam as menininas que gritam e choram por um rapazinho mais procurado que os Beatles no mais famoso site de busca, o que tem o cabelinho igual ao do Paul Mcartney em início de carreira, que pode até não cantar “Well, shake it up baby now”, mas usa o mesmo “Baby, baby, baby, ohhhh.”, aplaudem as menininhas que no passado gritavam e até desmaiavam pelos rapazinhos de Liverpool.
P.S.: este texto foi publicado por mim em 2011, no blog bolsadamarcia.wordpress.com